INDEPENDÊNCIAS NA AMÉRICA LATINA
O processo de Independência na América Latina, não ocorreu de forma homogênea para todos. Há locais onde a luta foi mais intensa e outros onde simplesmente seguiu –se os resultados já alcançados. Iniciaremos nosso estudo pelo México.
No México, a primeira tentativa de emancipação ocorreu em 1810, um movimento que inicia-se nas massas populares. Foi liderado por Miguel Hidalgo, o padre Morellos e Vicente Guerrero, lutavam por reformas sociais, propondo : o fim da escravidão, a igualdade de direitos e a condenação da aristocracia e altos funcionários.
Em 1821, Agustin Itúrbide, alia-se a Guerrero, formulando o “Plano de Iguala” , que proclamava a independência do México, que tinha como metas: igualdade de direitos, a supremacia da religião católica, o respeito a propriedade e um governo monárquico. A coroa foi oferecida a Fernando VII. Em 1822 no entanto, Itúrbide proclama-se imperador, sendo deposto logo a seguir num levante republicano. Em 1824 , o México torna-se efetivamente independente.
A América Central, unida inicialmente ao México, proclama sua independência em 1824 formando as Províncias Unidas da América Central, essa unidade, contudo durou pouco, por pressões inglesas e norte- americanas que fragmentaram a região.
No Panamá inicialmente território Colombiano, nota-se que a independência partiu de interesses americanos de construir um canal sob seu domínio , com as objeções colombianas , os ricaços da região aliam-se aos E U A contra a Colômbia e declara-se independente , fazendo um acordo com os E U A autorizando-os a construir o canal e manter a independência do novo Estado.
São Domingos , proclama sua independência em (30-11-1821) sem violências nem sangue derramado. Unindo-se a república da Grande Colômbia, fundada por Bolívar em 1820. Durou pouco sua independência , o antigo São Domingos espanhol foi invadido e submetido pelas tropas do Haiti. Em 1824 uma conspiração de”Brancos” que eram maioria proclamaram a independência. Em 1861 São Domingos solicita a reincorporação à Espanha ,em 1865 os espanhóis retiram-se definitivamente e São Domingos torna-se independente.
No Haiti , a revolução inicia-se em 1791, tendo à frente o líder negro Toussaint- Louverture, e como pano de fundo a insurreição dos escravos. Em 1803 Napoleão envia seu cunhado Leclerc, que prende o líder revolucionário que morre em uma prisão na França. Jean Jacques Dessalines derrota os franceses e proclama a independência e a república em 1804. Jean, declara –se imperador e morre assassinado em 1806, inicia –se uma guerra civil ,em 1820 o país unifica-se sob governo republicano .
Em Cuba, há uma pressão na Espanha pela independência da ilha. Não aceita pela elite que lucra com a economia vigente e prosseguem na repressão. Os E . U .A manipulam a economia da ilha . Em 25 de novembro de 1897 a coroa espanhola outorga –lhe autonomia ,1899 a bandeira espanhola é substituída pela norte-americana.
Na Venezuela em1811 o congresso geral proclama a independência , Miranda é investido de plenos poderes, em 1812 é derrotado pelos espanhóis, 1813 Simon Bolívar chefia guerrilhas e toma Caracas , o movimento é derrotado e Bolívar foge , 1817 , Bolívar retorna , toma a Venezuela e instala um governo provisório . Na Colômbia , o Vice- Rei convoca um cabildo aberto em 20 de julho de 1810 e proclama a primeira ata da independência , as lutas tem uma tendência centralista com Narinõ no poder e uma oposta federalista . A uma reação dos partidários da coroa e a guerra irrompe-se.
A guerra civil destroça os colombianos , os interesses regionais prevalecem sobre os da independência , em 1813 , proclama –se a independência absoluta . Bolívar apoiado pelos EUA e pela Inglaterra organiza um exército e liberta a Colômbia em 1819.
No Equador, em 1820 civis e militares proclamam em Guaiaquil a emancipação política. Em 1821 chega um enviado de Bolívar , oferecendo ajuda militar . Em Quito , contudo, continua firme o poder espanhol , Bolívar pretendia com seu auxilio a anexação de Quito e Guaiaquil à Colômbia. Em janeiro de 1822, fica definitivamente assegurada a independência do Equador.
Na Argentina , em 1810 uma rebelião destitui o vice- rei do Prata, em 1814 uma repressão do exército espanhol derrota os criollos.
San Martin organiza guerrilhas, em 1816 o congresso de Tucumán proclama a independência da Argentina. O Uruguai , inicia a recuperação de sua terra ocupada pelas tropas luso-brasileiras em abril de 1825.Em 14 de junho de 1825 instala-se o governo provisório da Província Oriental do Rio do Prata. A 25 de agosto os orientais votam sua independência do Brasil e a imediata incorporação às províncias Unidas do Rio do Prata. Inicia-se a guerra entre Brasil e Argentina . A Inglaterra intervem e Brasil e Argentina abandonam o Lado Oriental , e este torna-se independente.
Na Bolívia , em 25 de outubro de 1809 grupos revolucionários são executados , lutas vão suceder-se entre exércitos e guerrilheiros.
Em 1817 , fracassa a última expedição enviada ao Alto Peru.
Em 1822, um grupo de patriotas declara-se independente.
Em 1824, Bolívar elimina totalmente as tropas realistas no Alto Peru.
Em 5 de julho de 1825, inaugura-se sessões no congresso do Alto Peru , rejeita-se a idéia de anexar-se ao Peru .
Em 6 de agosto de 1825, declara sua independência criando a república boliviana.
Em 1826, Bolívar confirma que o congresso peruano havia reconhecido a independência da Bolívia.
Chile, 1810 revoltosos , liderados por José Miguel Carrera dominam grande parte do país.
Em 1813-1815 o vice rei do Peru reprime os movimentos revoltosos.
San Martin organiza um exército, em 1817 inicia a marcha libertadora, em fevereiro acabaria definitivamente o poder realista, ao completar um ano de batalha de Chacabuco, o Chile proclama sua independência à 12 de fevereiro de 1818.
Peru inicio em 1805, princípio de conjuração , proclamar Gabriel Aguilar como ,Inca peruano ,os conjurados pagam com a vida.
Nova conspiração em 1809 sem sucesso.
20 de junho de 1811, primeiras ações que resultariam na independência ( tomada de Tacna).
1812, Juan José y Castilho apodera-se de uma província.
1813, atos de revolta contra a inquisição, assaltos à prisões.
1814, cria-se uma junta de governo ( Brigadeiro Mateo Garcia Pumacahua ) ocupam La Paz.
1820, ano decisivo para a libertação um exército encabeçado por San Martin e Bolívar marcha contra Quito.
1821, entra em Lima os primeiros soldados, San Martim proclama a independência, em 28 de junho.
Paraguai , uma junta governativa de Buenos – Aires é enviada ao Paraguai para assegurar a supremacia sobre a região. Todavia, os paraguaios, recusando-se a aceitar a dominação de Buenos –Aires, foram as armas , lutaram e venceram a guerra, declarando a independência em maio de 1811. O Dr, Gaspar Francia instalou uma ditadura de cunho isolacionista.
Este artigo procura tratar alguns assuntos ligados ao processo de independência política dos países da América Latina, fazendo uma separação entre as colónias ligadas à Espanha e as ligadas a Portugal, em especial, o Brasil.
“E os povos? Lutaram pela independência? Digamos que onde os chefes levantaram bandeiras de redenção social ou, mais modestamente, de melhores condições de vida, os povos lutaram. Mas, entenda-se bem, mais que pela independência, lutaram pela terra, pelo pão e pela liquidação do servilismo”.2
O sistema de colonização mantido pelos países europeus no continente americano durou mais de três séculos. Entre os países europeus, Portugal e Espanha dominaram os territórios mais vastos da América, e também os mais ricos para a economia daquela época.
Embora houvesse diferenças entre eles, as relações entre as metrópoles ibéricas e suas colónias americanas seguiam mais ou menos a mesma forma de funcionamento: as colónias deveriam produzir mercadorias rentáveis no mercado europeu (principalmente géneros agrícolas tropicais e metais preciosos) que seriam exportados para a metrópole e de lá reexportados para outros países; as colónias não poderiam fabricar produtos manufacturados, tendo que comprá-los da metrópole.
Embora Portugal e Espanha utilizassem vários métodos para controlar essas relações, nunca conseguiram garantir o comércio colonial apenas para si. Muitos produtos eram manufacturados nas colónias, mesmo que clandestinamente; era muito intenso o contrabando, tanto de mercadorias europeias quanto de metais preciosos (ouro e prata).
Aqueles dois países, não tendo desenvolvido indústrias, eram obrigados a se abastecer em países mais fortes economicamente, como a Inglaterra e a França, tornando-se dependentes deles.
Além disso, os incentivos dados ao incremento da produção de géneros tropicais e de metais preciosos e ao comércio, acabaram promovendo um certo crescimento económico das áreas coloniais, fazendo com que, pouco a pouco, as elites coloniais começassem a perceber a necessidade de se separarem das metrópoles.
As relações entre os países ibéricos e suas colónias envolviam também outras nações europeias. Por isso, os acontecimentos que atingiam os países europeus acabavam tendo repercussões nas colónias espanholas e também no Brasil. Assim, as transformações sociais e económicas pelas quais passava a Europa no início do século XIX, bem como os conflitos daquele continente afectaram a vida dos domínios espanhóis e portugueses na América, acelerando o processo de crise do sistema colonial, que resultaria na independência dos territórios americanos.
“As Guerras de Independência foram, por sua relativamente curta duração e pelos positivos resultados obtidos, um fato histórico de grande ressonância. Em dez anos se libertou um continente de uma dominação que havia durado três séculos. Em um ano se declararam contra a Espanha Estados e cidades separados por milhares de quilómetros e quase sem contradição. O grito da Independência se propagou como por contágio, sem resistência visível...” 3
O processo de luta pelo fim do sistema colonial e pela independência política da América foi resultado da acção de grupos numericamente pequenos, mas fortes e poderosos, que se organizaram e, dessa forma, estruturaram os novos países de acordo com seus interesses.
Veremos a seguir, como se efectivou esse processo, primeiro, das colónias espanholas, e depois, do Brasil, colónia portuguesa.